Infinidade de apps facilitam a vida dos chineses
QUAIS APPS INSTALAR EM SEU SMARTPHONE PARA TIRAR PROVEITO MÁXIMO DAS FACILIDADES ON-LINE CHINESAS

Por Felipe Zmoginski

Em Roma, faça como os romanos. Se uma viagem ao Rio de Janeiro só parece genuína se você tomar uma cerveja no calçadão de Copacabana, existem certas experiências igualmente imprescindíveis para se desfrutar a China como os chineses. E não estamos falando de beber chá ou jogar majongue, mas de fazer as coisas como só eles fazem, de comprar frutas na barraca da esquina pagando com Alipay a ir até sua reunião ou encontro pedalando uma Mobike.

Todas essas atividades propiciadas pela nova economia digital chinesa, no entanto, são possíveis apenas se você tiver os apps certos, devidamente configurados. De preferência, antes de sair do Brasil. Confira a seguir uma lista de aplicativos essenciais para sobreviver na selva digital chinesa e não ficar sem comer, beber ou conseguir transporte simplesmente por não estar atualizado com o mundo on-line de lá.

O REI DOS APPS

Aplicativo mais popular do país, com quase 800 milhões de usuários ativos apenas na China, o WeChat é a forma mais comum de os cidadãos locais se comunicarem. E provavelmente será também a sua, já que o WhatsApp não é popular no país. Muitos estrangeiros em viagem à China, aliás, recomendam que amigos e parentes na sua terra natal instalem o WeChat, para permitir que todos se comuniquem sem dificuldade ao longo da sua ausência. Além de permitir o envio de mensagens de texto, fotos e ligações por voz, esta aplicação desenvolvida pela Tencent permite realizar vídeo conferências com excelente estabilidade, graças ao investimento maciço de sua desenvolvedora em servidores para streaming de imagens.

Chamado de superapp por integrar múltiplos serviços, ele oferece também a solução de pagamento WeChat Pay, pela qual hoje se paga quase tudo na China, de táxis a restaurantes, passando por compras no supermercado e em lojas on e off-line. Desde o final de 2019, uma nova regulação do governo chinês permite que cidadãos de outros países, com um cartão de crédito internacional em mãos, criem sua carteira virtual e adicionem créditos ao WeChat Pay. Isso é excepcionalmente útil para compras no dia a dia, uma vez que o dinheiro de papel se tornou um item obsoleto, e muitos varejistas simplesmente não dispõem mais de cédulas para dar troco.

Um ponto de atenção para novos usuários do WeChat é que contas novas podem precisar ser “validadas” por usuários antigos do app. A razão para essa “barreira de entrada” é uma tentativa de evitar que sua plataforma seja invadida por bots, os famosos robôs, usados para fazer spam mobile ou divulgar campanhas de marketing digital agressivas. Por isso, ao criar sua conta, tenha em mente que é bem provável que você precise pedir a um amigo que já seja usuário do WeChat para “validar” sua conta, reconhecendo que você é uma pessoa – e não um robô. O processo de validação é simples: basta seu contato escanear um QR code e… tudo pronto!

UBER CHINÊS

Desde 2017, o Uber não funciona mais na China, e, para quem vem de outro país, a única forma de pedir um táxi por aplicativo é por meio do Didi, que possui interface em inglês e aceita cartão de crédito internacional. Isso facilita muito a vida de quem precisa, por exemplo, voltar para casa (ou hotel) após um longo dia de passeio ou uma balada qualquer. Uma dica valiosa é ter consigo, sempre, o endereço de onde você está hospedado, para inserir as informações no app ou simplesmente mostrar o destino ao motorista.

Os estrangeiros que utilizavam táxis antes do Didi sabem como essa tarefa podia ser ingrata. Muitas vezes, os taxistas simplesmente se recusavam a pegar alguém com aparência ocidental nas ruas, por medo de não conseguir se comunicar. E, de fato, a comunicação nunca é simples para quem não fala (ao menos) um pouco de chinês. Outra dificuldade recorrente era o fato de alguns motoristas se recusarem a viajar pelo valor do taxímetro e insistirem em negociar o preço caso a caso, o que em 100% das vezes terminava em desvantagem para o forasteiro. Com o Didi, todas essas dificuldades são superadas. É só colocar o endereço do destino, chamar o carro e seguir viagem.

COMUNICAÇÃO

O Pleco é o dicionário e tradutor mais popular do mundo para chinês-inglês-chinês. A versão grátis vem com dois dicionários, cada um com mais de 100 mil entradas e muitos exemplos. Na versão paga, é possível acrescentar mais dicionários e até fotografar uma placa de rua ou uma frase em um cardápio de restaurante para obter a tradução em inglês. E essa consulta pode ser feita mesmo se o seu smartphone estiver sem a conexão adequada. Lembre-se de que, em função de normas locais, o Google Translator provavelmente não funcionará corretamente, o que torna o Pleco ainda mais relevante.

Facilidade de transporte e delivery
PEDALANDO PELA CHINA

Modelo de negócios que inspirou a startup Yellow no Brasil, a Mobike é uma sensação na China e uma ótima maneira de explorar as cidades. Com seu passaporte em mãos e algum crédito no WeChat, é possível criar um registro no aplicativo e, depois, desbloquear uma das dezenas de milhares de bikes da marca espalhadas pelo país. Pedale o quanto quiser e deixe a bicicleta quando se cansar, na calçada que preferir. O sistema de aluguel de bicicletas Mobike é dockless, ou seja, não há ponto definido para entrega. Além de facilitar sua mobilidade, é uma forma de testar um modelo de negócios que se espalhou pelo mundo em seu local de origem.

O cadastro pode, a depender da cidade em que você esteja, exigir um depósito, que será pago também com sua carteira digital. Não se preocupe: o valor é reembolsado quando você cancelar sua conta. Para quem desejar mais opções de bike, há outras marcas que operam no mesmo modelo, como a OFO. Entretanto, por ser a líder de mercado, a Mobike costuma ter a preferência de quem pretende ficar pouco tempo na China. Com qualquer um desses serviços, é possível inclusive escolher bicicletas elétricas.

COMIDA

Embora a gastronomia chinesa tenha muitos fãs mundo afora, há pessoas que simplesmente não se adaptam ao tempero e aos ingredientes locais. Para esse segundo grupo, o Jinshisong pode ser estratégico. O app possui interface em inglês, para pedir delivery de comida onde você estiver, e reúne opções de gastronomia italiana, mexicana, vegetariana. Com sorte, sai até um bom bife para quem quiser fugir das alternativas disponíveis na cozinha de seu local de hospedagem. Recentemente, o Jinshisong ganhou um competidor, também com interface em inglês, chamado Sherpa’s. Ótima alternativa para os visitantes internacionais.

Pedir comida por aplicativos, aliás, é incrivelmente comum na China, e a eficiência dos restaurantes e entregadores é um capítulo à parte. Alguns pedidos, entre o clique no botão “send” e a entrega, pode levar menos de 20 minutos. Naturalmente, há muitos outros aplicativos de entrega de comida no país e o Jinshisong, na verdade, nem é o mais em conta de todos, mas pode ser recomendado aos que desejam alternativas à comida local.

COMIDA, VOLUME 2

Se você achar as opções de Jinshisong e Sherpa um pouco caras, pode conseguir preços muito mais competitivos pedindo comida em um dos dois líderes de mercado, os apps Meituan e Ele.me – o nome deste último sugere a pergunta 饿了么? è le me? “está com fome?”. Como nem tudo na vida é perfeito, estes apps têm uma desvantagem significativa para quem não fala chinês: a falta de interface em outra língua. Então, ou você se arrisca e escolhe o prato se baseando nas fotos dos menus digitais, caso não saiba ler a língua local, ou então pede ajuda a um amigo para interpretar os cardápios dos serviços.

Super apps atendem muitas necessidades
LOCALIZAÇÃO

Se andar na sua cidade natal sem um mapa no celular pode ser difícil, imagine então passear por locais em que você nunca esteve. Uma vez que os serviços do Google, muito populares no Brasil, não funcionam de forma atualizada na China, recomenda-se aos viajantes que baixem ao menos uma das seguintes opções: Baidu Maps e Apple Maps. Usuários do iOS podem usar o segundo, que mantém descrições e indicações em múltiplos idiomas e permite explorar a cidade, seu comércio, opções de transporte e serviços. Já o Baidu Maps, mais adequado para usuários de Android, é mais rico, acurado e completo que a versão da Apple, porém com uma desvantagem significativa para quem não fala chinês: a maior parte das indicações está escrita no idioma local e exigirá algum esforço de tradução/interpretação do usuário.

COMPRAS

JD e Taobao são as duas plataformas mais famosas do país para compra de produtos no e-commerce. O primeiro pertence à empresa JingDong, uma das maiores do mundo em seu setor, e altamente recomendada para compra de produtos de maior valor agregado, como computadores, smartphones e eletrônicos de um modo geral, em função de sua ótima entrega e controle de qualidade. Já o serviço Taobao, do grupo Alibaba, é um e-commerce do tipo C2C, ou seja, em que consumidores vendem para outros consumidores, mais ou menos como o MercadoLivre no Brasil. A grande vantagem é que, no Taobao, encontra-se praticamente de tudo – e por preços muito atraentes. A desvantagem? Está tudo em chinês, o que obrigará quem não lê a língua local a fazer a pesquisa por imagens, o que (acredite!) funciona muito bem. Outra alternativa é pedir ajuda a um amigo chinês, o que não é uma missão impossível.